terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Justa homenagem a ex pároco de Mujães Manuel Vilaverde

Ironia do destino, na crónica de ontem, por várias vezes, e por motivos diferentes, referi-me ao ano1967, e volto a fazê-lo, hoje, último dia de 2013. Inspiração trazida, esta manhã, do Monte de Roques (Santinho).
Ao contrário do que se possa imaginar, também tenho padres na lista de grandes amigos, como é o caso de Manuel Vilaverde, ex pároco de Mujães. De fato, foi ele quem, em 1955 (13 anos de idade), a pedido de minha querida mãe, antecipou o meu internamento no Sanatório da Gelfa, Afife, com doença grave ou melhor, entre a vida e a morte.
Não sem antes ter feito o mesmo pedido ao pároco da minha freguesia, Vila de Punhe, que não ligou «puto», quem sabe, mais/menos um anjinho não se nota a diferença.
Minha mãe, apesar de muito pobrezinha, agradeceu ao pároco, com os 2 únicos/melhores frangos que tinha no galinheiro, é que pareciam «cavalos ».
Mas há mais, enquanto em Vila de Punhe (à excepção de Daniel Lima, e para ser justo, em certa medida, o ex presidente da junta de freguesia, Armando Moreira, que sempre apoiaram meus estudos musicais), outros, fossem eles padres, «borras botas», ignorantes, etc, era um autêntico botar  abaixo. O mesmo pároco, em 1967 (cá está), organizou um espetàculo nas Neves, onde cantei, junto ao busto do S. Leando Quintas Neves (que ainda não estava ali), acompanhado ao piano pela minha querida professora de canto, a parisiense, Hélène Milleret. 
Mujães não se pode queixar, embora tenha motivos para o fazer, pela receção feita, no passado mês de Setembro, na igreja de Vila de Punhe, ao pároco de Mujães, Manuel Costa Pereira, pois que, e sei do que estou a falar, também  fizeram gato-sapato do padre Manuel Vilaverde, inclusive a junta de freguesia de Mujães de então ...motivo que o levou a abandonar a igreja de Mujães.
Foto 1; Agosto 1967 (cá está), no casamento de uma filha (prima) do ex caseiro da mata do Mélinho, Mujães, para o qual, mais os meus pais (2ª foto), também fui convidado.
Caríssimo Manuel Vilaverde, onde quer que estejas, grande abraço, regado com um brinde para as entradas de 2014 ...daqui por cerca de 2,20 horas. 



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A vida é feita de más e boas recordações

Depois de passar divertido Natal de 2013, um pouco semelhante ao de 2010, como na altura relatei no meu blog, na crónica «Oh my god», e de novo partilhada (há dias) no Facebook, Twitter e Google.
Se em 2010, a noite da ceia centrou-se, sobretudo, na operação que vinha de fazer à hérnia, este ano foi sobre a versatilidade do amor ...os protagonistas é que foram os mesmos, 4 maduros solteirões, ou seja, ex namorada e duas amigas americanas, como ela, professoras e eu.
A frase mais bonita da  noite, entre muitas outras, e que teve unanimidade dos 4, veio de uma das amigas da minha (ex), quando disse, «quantas vezes ignoramos o amor à francesa e/ou, muito pior, morremos sem nunca o conhecer ...um desperdício».
Estas palavras, a não ser por mais, mostram o quanto a vida é feita de más e boas recordações ...neste caso, e em grande medida, ajudam a esquecer dias tristes e mais, concordo com a grande vantagem da versatilidade amoroso ...não tivesse passado 3 décadas da minha juventude, em Paris, França.
Foto 1; Meu pai e eu, em 1967, junto a uma casa particular em mármore, Garches, França, sob a minha responsabilidade, e cujo proprietário era um arquiteto françês.
Foto 2; mesmo ano (1967), ou seja, conciliava meus dias de trabalho na construção civil, com os estudos noturnos de guitarra clássica; também dava aulas assim como, em alternância,  fazia espetáculos.
Nem a emigração, nem o ter que trabalhar nas obras durante o dia, para sobreviver, serviram de entrave a que realizasse meus sonhos ...o de seguir uma carreira artística.
Só quem perceber alguma coisa, nota que a guitarra é de fraca qualidade ...para se fazer uma ideia, a atual deve custar cerca de 25 vezes mais. A minha é a elite nº 104, José Ramirez, Espanha.
Aos jovens e não só diria, voltaria a fazer o mesmo ...medo de quê ?!
Haja coragem.




terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Cabaz Natal 2013 «pago em marcos»








Se na última crónica, há 4 dias atrás, referi-me a novos marcos, com/sem iniciais gravadas, no Monte de Roques (Santinho), hoje estou mais virado para o insólito/hilariantecabaz de Natal, «pago em marcos».
Dos muitos e muitos marcos que conheço no Monte de Roques (Santinho), alguns, por diferentes motivos,  é para rir e chorar por mais; mas como não é possível publicá-los a todos, aqui ficam alguns:
Foto 1; pós incêndio do mês de Agosto 2010, marco com dupla função, ou seja, delimita bouças e freguesias,
Foto 2; com a inicial «P» (Pato), gravado em tosco calhau.
Foto 3; parte superior de um marco, com as iniciais «CP», por extenso: Casa/Quinta de São Cristóvão da Portela (Casa da Portela), Milhões, Vila de Punhe ...insólito, pelo fato do proprietário, eng. Barbosa, desconhecer (salvo erro) a existência deste (e mais 2 ) marco, numa das bouças, no exterior da quinta, exatamente no sobreiral. Note-se que já só vejo este no monte, e outro em fotografia. De lamentar, pois que enfraquece a ancestralidade da minha terra, Vila de Punhe. 
Foto 4; iniciais «CM», Casa do Monte (Quinta), na porta de uma captação de água, numa das bouças, também já no exterior da Quinta.
E pronto, é este cabaz «pago em marcos», a minha hilariante prendinha de Natal de 2013 ...e a não ser por mais, para expulsar a tristeza.
A minha festa de Natal 2013, começa daqui a pouco ...e não posso dizer mais nada, a não ser que tem um pouco a ver, com o «Oh  my god», de 2010, quando fui operado à hérnia (crónica republicada aqui, há cerca de um mês atrás), hohohohohohoho !!!





sábado, 21 de dezembro de 2013

Ainda o bailado dos marcos Monte de Roques (Santinho)


Várias vezes referi-me aos marcos espalhados Monte de Roques (Santinho) acima, e voltarei a fazê-lo, cada vez que brotem novidades, como é o caso.
Encontrei, há cerca de um mês (foto divulgada no Facebook), um marco com o nº 40 gravado (ver foto), na zona da Maravilha, não longe das primeiras casas do Lugar de Arques e parcialmente escondido no pedregulho. Conheço muitos outros, na maioria, com as iniciais dos proprietários das bouças, que eles delimitam mas, como este, é o único.
Provávelmente (disse bem provávelmente) tem a ver com antiga pedreira, ao lado  da do «Tone Martins», onde também se encontra a bela escultura do «meu amigo ursinho» (vezes sem conta divulgada), pelo fato de, na minha infância, quando passava por ali, monte acima, com o gado, recordo-me muito bem, ter visto uma enorme cruz em madeira, em cima do penedo do «ursinho». A  bouça, essa, pertencia ao «Ricardo» (Arques); também era conhecida, cá está, pela bouça da «cruz quebrada».Tudo converge para que o nº 40 se refira à existência desta pedreira nos anos 40. 
Desde que descobri o referido marco,  «nem durmo» e, por muitas voltas que dê à cabeça, volto sempre à estaca zero, ou seja, à pedreira onde mora o «ursinho», pois que corresponde sensivelmente à data da existência desta ...e só mais tarde  é que abriu, então, a pedreira do «Tone Martins».
As iniciais «CM» dizem respeito à Casa do Monte (Quinta); e as iniciais «P», à bouça do «Pato», antiga central camionagem de Barroselas, agora pertence aos herdeiros do «Xula» (Arques). Note-se que 95% dos marcos que delimitam as bouças no Monte de Roques (Santinho) pertencem aos proprietários das bouças com as iniciais «CM e P».
A população de Vila de Punhe, onde se situam, quase na sua totalidade, estes marcos, conhece muito pouco sobre a verdadeira utilidade, e muito menos o significado das iniciais ...desengane-se, até «diplomados» (que têm a mania que percebem) falam, sem saber o que dizem.
O último marco tem dupla função, o «P» para delimitar bouças, e a «Cruz Comenda» as freguesias ...neste caso Vila Franca/Vila de Punhe.
Nunca ninguém levou tão alto/longe a ancestralidade do Monte de Roques (Santinho) ...até parece que não tem fim ...não fosse o  último achado (marco) prova disso.
A minha maior preocupação é a de divulgar a minha terra  com a máxima seriedade e, a não ser por mais, estou farto, mesmo farto de mitos, mentiras ...a comprová-lo, foram necessários cerca de 12 dias para concretizar esta crónica.







sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Horrível morte de Maria memórias que nem o tempo apagou


Minha querida irmã Maria, nasceu a 4 de Outubro de 1946, como documenta a Cédula, ou seja, tinha eu 4 anos de idade.
Minha mãe tinha um banquinho de tronco de eucalíto, na velhinha cozinha, que Maria tinha por hábito de levar para cima da baixa lareira em pedra, onde se sentava, frente a umas trempes de ferro (4 pés). Sobre as trempes, uma panela que, de tão velha, ao mais pequeno toque, o testo caía dentro. 
Apesar de muito novo (6 anos) nessa altura,  (Maria tinha cerca de18 meses de idade), recordo-me como se tivesse sido há 10 minutos: A certa altura, minha querida irmã confundiu a tampa da panela com o banquinho, e sentou-se ...o testo caiu imediatamente, queimando- lhe o rabinho com água a ferver.
Horrível, aos gritos, minha mãe acudiu, sem saber o que fazer, As queimaduras foram tão graves que, uns dias mais tarde e depois de atroz sofrimento, minha querida maninha Maria não resistiu ...partiu.

Coragem nunca me faltou mas, mesmo assim, ponderei longamente, se deveria tocar no assunto. É que, para além do muito mais, fiquei convencido de que, se não fossemos tão pobres, nada teria acontecido.
7 anos mais tarde, foi a minha vez: Tive alta do hospital velho de Viana do Castelo, com o único objetivo de ir morrer a casa, com a doença do «Mal de Pott» (tuberculose óssea) ...estive internado, cerca de um ano,  no Sanatório da Gelfa (Afife).
Em ambos os casos, a pobreza teve influência direta ...a única diferença, tive mais sorte do que a inucente Maria, a quem dedico esta homenagem. Onde quer que estejas, muitos beijinhos do teu maninho, que nunca se esqueceu de ti. Beijos!
Foto 1; Cédula de Maria.
Foto 2; Eu, no Sanatório da Gelfa, em 1955.
Foto 3; Acredito na minha protetora Estrelinha Celeste.
Por experiência própria, desejo muita coragem para quem sofre.
Fiel, desde a minha tenra idade, tento comprovar o que escrevo/digo ...e não finjo.
Feliz Natal ...em 1955, passei-o no Sanatório.







sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Umbilical que me liga ao Monte de Roques (Santinho)

Ainda há bem pouco tempo, numa das minhas crónicas, abraçava aquela nascente, situada a cerca de 300ms do balneário (achado de Tarcisio Maciel) e 700 do panorâmico penedo (pegada), devido às vezes que saciei a sede assim como o gado que pastoreava, na minha infância. Atribuí-lhe o nome de Moura Encantada, há cerca de 3 meses atrás, por ser a única no Castro de Roques (Santinho). Note-se que tanto o curso de água como o balneário pertencem à freguesia de Vila Franca. 
Mas não é, pelo menos para mim, a Rainha do Monte, e veja porquê: A nascente da Chãs, Monte de Roques (Santinho), na bouça da «Tia Mélia da Benda» (marido era conhecido por gaio) (Arques),  fica à volta de1000ms das primeiras casas do Lugar de Arques, e à mesma distância do geodésico (Marco Branco)  cujo caudal , a partir da nascente, se não é, não deve andar longe, desconhecido, da população de Vila de Punhe.
 Então é assim: desce monte abaixo, passa a 200ms (à direita) da histórica casa em ruínas, no Mirante, onde se faz a junção, com outro curso, que também nasce nas chãs, a 500ms à esquerda do primeiro; continua até ao rio do monte; segue pela cangosta, entre a Quinta do Carmo e a do Sousa (Bonfim), até ao Largo do Ribeiro (Bonfim); depois de passar pelo Rexio, encontra o pontilhão (lado direito da sede da junta de  freguesia) ...e vai perder-se pelos caudais dos campos, via Monte da Infia. Da nascente ao Rexio, o caudal situa-se no Lugar de Arques (onde nasci).
Há sensivelmente 2 anos, tinha, a partir da nascente, descido o caudal até à referida casa em ruínas; esta manhã fiz ao contrário, subi, e devo dizer que foi muito mais fácil. Seja como for, não faça isso, é muito, muito perigoso.
Foto 1;  sensivelmente a meio da íngreme subida ...compensado com beleza natural.
Foto 2, sitio exato da nascente, nas Chãs.
Foto 3; a 50ms da nascente, passagem da água pela bonita meia cana, talhada no penedo ...25ms acima, de barriga no chão, saciava a sede, mais o gado, na minha infância.
Pelo exposto, é o umbilical que me liga ao Monte de Roques (Santinho). 
Manhã extasiado com tanta beleza ...sem palavras. 


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ancestralidade da freguesia empobrecida



 

Seja de que nível cultural/social for, os vilapunhenses, na sua grande maioria, «estão-se nas tintas» para a história  da sua terra e sobre tudo do Monte de Roques (Santinho). E é assim que, quase sempre, o património desaparece, mais grave, em total impunidade, e para não fugir à regra, dou um exemplo: 
No rexio encontra-se uma captação de água, destinada à Quinta do Outrelo (vulgo Dª Inês), conduzida através de antiga  canalização, formada por pedras duplas, com meia cana, sobrepostas.
    Ora, e como pode ver-se numa das fotos, foi totalmente destruída, e vendida, pelo proprietário, a freguesia semi-vizinha ...falta saber se o podia ter feito, pois que se encntrava na via pública, encostada a parede alheia à quinta. 
Espante-se, o intermediário na venda chegou a ter, de uma fora ou de outra, responsabilidades na freguesia de Vila de Punhe, ou seja, «para mi bolsilho, mi cago em mi palavra» ...lamentável.
Não é a primeira vez que toco no assunto mas, e a não ser por mais, para acordar a população. Até cheguei à conclusão de que, quando o proprietário da quinta não é um herdeiro, ou melhor, não é familiar (é forasteiro), a falta de sensibildade pelo património é gritante.
Foto 1; à esquerda, captação no rexio, e o caminho, à direita, por onde segue a água para a quinta mas, agora, através de tubos.
Foto 2; à direita, a canalização destruída, e, ao fundo, portão das traseiras da quinta.
E ninguém fez/faz nada...revoltante.